Em primeiro lugar, é importante lembrar que o termo ESG, do inglês, Environmental, Social and Governance, refere-se a um conjunto de padrões e boas práticas a serem adotadas por empresas, governos e cidadãos, com o objetivo de promover ações sustentáveis, que visem a mitigação e/ou a redução dos impactos causados no meio-ambiente e na sociedade.
No S, de Social, são trabalhados diferentes temas, que visam a proteção dos interesses dos stakeholders – o colaborador, o cliente, os investidores, os fornecedores e a comunidade.
No que se refere aos colaboradores, alguns temas ganham destaque, como a promoção da saúde, o respeito às leis trabalhistas, a diversidade, a equidade e a igualdade (DE&I).
Nesta pauta de DE&I são contempladas ações que visam promover o respeito à diversidade e a garantia da igualdade de direitos, com o foco em grupos minorizados, como mulheres e pessoas autodeclaradas pardas ou pretas
Este artigo tem como objetivo provocar uma reflexão sobre um tema que, no meu entendimento, deveria estar inserido em DE&I, mas que pelas práticas de mercado, não fazem parte: o ETARISMO.
O etarismo, infelizmente, é uma realidade que permeia a vida das pessoas 50+ no Brasil, principalmente no mercado de trabalho. Frequentemente, são excluídas de oportunidades de emprego por conta de preconceitos e estereótipos negativos relacionados à idade.
Muitos podem dizer que isso não é bem assim, e que tem muitas empresas que dão oportunidade a pessoas na faixa etária acima de 50 anos. Sim, mas que oportunidades são essas? Elas levam em consideração a experiência e a formação técnica delas ou somente reintegra ao mercado de trabalho, oferecendo oportunidades “limitadas”?
Se levarmos em consideração que a aposentadoria no Brasil considera como regras dois fatores: tempo de serviço e idade que, para o homem é 65 anos e, para a mulher, 60 anos. Mas como se manter no mercado de trabalho, contribuindo para o INSS se o sistema limita esse “direito”?
Passou dos 50 anos e o mercado já entende que essa pessoa está desatualizada e “obsoleta”. É por isso que vemos pessoas 50+, iniciando um novo negócio, como empreendedores (ainda bem que isso é possível), para complementarem a renda e manterem a contribuição para o INSS, que irá garantir a sua aposentadoria ao atingir a idade mínima e o tempo de contribuição.
No entanto, essa não é uma regra para a política. Basta lembrar que os três últimos Presidentes do Brasil tinham mais de 65 anos. Se confiamos a direção de nosso país a um sexagenário (ou mais velho), por que não é interessante admitir uma pessoa com mais de 50 anos em cargos de confiança e gestão nas empresas?
Peço licença a uma amiga para contar o caso dela, que hoje conta com 52 anos, e está em busca de uma recolocação. Ela tentou se candidatar a uma vaga, mas recebeu o retorno do sistema de que o “seu CPF estava com problemas” e não poderia ser dada continuidade à sua candidatura. Desconfiada de que “o problema era a idade”, ela se cadastrou novamente, reduzindo a sua idade em 10 anos. Bingo! Sua candidatura foi aceita.
Será que os “cinquentões” não deveriam ser considerados como grupo minorizado também e incluídos nas políticas de DE&I?
Fica aqui o convite à refelxão.












